O que é Percepção?



PERCEPÇÃO

            A percepção não fornece um reflexo exato da realidade. Os próprios sentidos humanos não respondem a muitos aspectos do ambiente que nos cerca, a exemplo disto, não ouvimos os sons de alta freqüência registrados pelos morcegos, não sentimos o cheiro de substâncias que exalam das solas dos sapatos como os cachorros o sentem, etc.  De outro lado, as doenças, o cansaço, a monotonia e as drogas nos fazem ver coisas que não existem.

            A percepção é o significado que damos às experiências que recebemos através dos órgãos dos sentidos.

            Barber e Legge (Apud Braghirolli et. All, 1990, p.74) definem a percepção como o “processo de recepção, seleção, aquisição, transformação e organização das informações fornecidas através dos nossos sentidos.”
           
Há muitas definições de percepção, mas também um consenso de que a palavra refere-se aos processos pelos quais o indivíduo recebe estímulos, seleciona-os e interpreta-os.
É um processo de escolha e interpretação dos estímulos que nos chegam; é um modo de ver e entender o mundo que nos cerca, incluindo a nós próprios.
As percepções humanas dependem das expectativas, motivações, atenção e experiências anteriores (aprendizagem).
É necessário que os estímulos ocorram com um mínimo de intensidade  para que sejam captados, este ponto a partir do qual o evento é percebido chama-se  limiar de percepção.
            A atenção é uma condição essencial para que haja percepção.  É a atenção que nos possibilita selecionar aspectos do meio ambiente.
Cabe à análise experimental compreender as bases sensoriais da percepção, a fim de desvendar o mistério de como nos é possível perceber o mundo que nos cerca através dos nossos sentidos e organismo.
Sabemos que a percepção é um fenômeno que consiste em reconhecermos qual o estímulo que produziu em nós determinada sensação, começaremos explicando a sensação.
Sensação é um fenômeno psicológico, produzido pela estimulação do nosso organismo, base de todos os nossos conhecimentos. Se dá quando um órgão, como os olhos ou os ouvidos etc., recebem um estímulo. Ex.: Os raios luminosos atuando em nossos olhos convertem-se em sensação visual. O alimento que venha afetar nossa língua produz uma sensação gustativa. Uma partícula aromática, em contado com a mucosa nasal, ocasiona uma sensação olfativa. A percepção abrange a sensação, mas inclui também o reconhecimento do objeto percebido e a certeza de sua existência.
Antigamente acreditava-se que os objetos emitiam cópias deles mesmos, mas hoje sabe-se que não é desta forma que ocorre.
A sensação pode ser interna como externa. A interna é quando esta provém do interior de nosso organismo: fome, sede, sono, fadiga, bem ou mal estar. A sensação é externa quando esta provém de nossos órgãos dos sentidos: paladar, olfato, audição, visão e tato.

Percepção se dá tanto nos objetos como nas pessoas. Nossa preocupação daqui para frente é demonstrarmos a importância de percebermos a nós mesmos e os outros, através do estudo de alguns fatores.


  •   Auto Revelação: Predisposição a fornecer informações de si mesmo. A medida que cresce nosso relacionamento com as pessoas que nos rodeiam, aumenta o grau de confiança e nos revelamos cada vez mais para o outro. Ex.: Namorado, Chefe, Amigo, Irmão, Pais, Professor etc.



  •   Predisposição de Julgamento: Julgamos uma pessoa de acordo com a finalidade específica. Isso limita o que vemos no outro. Ex.: Se alguém faz algo que não gostamos passamos então a vê-la de outra forma e vice versa.



  •  Tendência para a categorização: A primeira tendência é colocar dentro de categorias conhecidas. Ex.: Todos os psicólogos que falam comigo estão me analisando; Os advogados não prestam; Os atores de TV não são fiéis, a polícia é corrupta etc.

  •    Efeito de Halo: Quando pequenos detalhes passam a influenciar o julgamento do todo. Ex.: Uma pessoa que chega sempre atrasada no trabalho, o chefe a julga negativamente nos demais quesitos avaliados; Uma garota atraente fisicamente leva o pretendente a vê-la com bons olhos para todos os demais fatores de sua vida, mesmo ela tendo comportamento incompatível com o dele etc.


  •   Experiência: Cada percepção, depende de percepções anteriores e é corrigida por elas. Ex.: Se você passou por alguma situação igual a atual, saberá como agir com mais precisão e menos riscos.

  •   Similaridade: Quanto mais o outro se parece comigo, mais experiências tenho a seu respeito. A tendência é você se aliar com pessoas que possuem gostos e comportamentos similares ao seu.


Adaptação e Interpretação dos Estímulos


Os estímulos do meio ambiente ( excluindo-se aqueles relativos ao próprio sujeito) são percebidos conforme certas propriedades físicas.
Uma delas é a freqüência. Uma exposição freqüente de um estímulo terá muito mais chance de ser percebida do que uma exposição rara.
Uma outra característica é a intensidade, e, quanto maior ela for, também será a probabilidade de o estímulo ser percebido.
A outra característica é o movimento, que quanto mais houver, maior a probabilidade de percepção.
Tem-se a tendência de organizar os estímulos através de agrupamentos, dimi9nuindo desta forma os estímulos de acordo com certos critérios, diminui-se o número de estímulos percebidos. Um bom exemplo deste agrupamento é o fenômeno de figura-fundo, separando o campo perceptual em duas parte, sendo uma dominante e unificada e outra mais homogênea e difusa, os estudos dos determinantes do fenômeno figura-fundo indicam que os fatores de proximidade, similaridade, continuidade, inclusão e contraste, estes são alguns princípios da Gestalt
Ao perceber os estímulos que foram percebidos (muitos não são) nossa mente realiza processos básicos de interpretação: similaridade, proximidade,camuflagem, contraste, ilusão de contexto e continuidade.

O princípio da similaridade afirma que tendemos a organizar estímulos semelhantes pertencentes à mesma categoria. Por exemplo: produtos de qualidades diferentes, porém com a embalagem semelhantes.

O princípio da proximidade afirma que tendemos a perceber coisas e objetos que se encontram próximos formando um conjunto.

O princípio da camuflagem dificulta a percepção de algo, destruindo  configuração por uma figura mais inclusiva

O principio do contraste: Faz ressaltar a forma diferente em relação ao todo.

O princípio da Ilusão de contexto: os estudos da percepção indicam que a organização das figuras em todos pode levar a certas distorções na percepção das propriedades das partes

O princípio da continuidade afirma que tendemos a perceber as coisas e objetos com um todo, sem necessariamente ser a soma das partes. Tendemos a dar continuidade no que está incompleto.

Um dos problemas mais importantes apresentados pelo estudo da percepção dos objetos é o fenômeno da constância, isto é a tendência para perceber um objeto como sendo o mesmo em diferentes imagens perceptivas.

Perceber é, portanto, um ato de seleção, análise e interpretação dos estímulos com que entramos em contato no fluir de nossa vida. É essa seleção e análise que orienta nossas ações.


Bibliografia

------------ Psicologia Aplicada a Administração, Disponível via URL em : http://www.lucianovs.ubbi.com.br/paa.htm; acesso em 10/11/2005


AGUIAR, M. A. F. ;  Psicologia Aplicada à Administração: Teoria Crítica e a Questão Ética nas Organizações, São Paulo, Excellus, 1997

Comentários

  1. Adorei seu texto, com todos os conceitos muito bem elaborado.

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  2. Perfeito! As colocações e conceitos nos faz repensar um pouco na condição do ser humano do século XXI. Farei uso desse aprendizado. Abraços.

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